BPM não é documentação como a gestão real de processos reduz custo e risco. por Vladimir Oliveira Lima
- Vladimir Oliveira Lima

- 23 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Problema real do mercado
Em praticamente todos os setores, empresas investem tempo e dinheiro em iniciativas de BPM esperando redução de custos, aumento de produtividade e maior previsibilidade operacional. O resultado, na maioria dos casos, é frustrante: repositórios cheios de diagramas, portais de processos pouco acessados e nenhuma melhoria perceptível no dia a dia da operação.
Os processos estão “mapeados”, mas o lead time continua alto. O retrabalho segue existindo. Os riscos operacionais permanecem invisíveis. Executivos passam a questionar o valor do BPM e, muitas vezes, concluem que “BPM não funciona”.
O problema, porém, não está no BPM. Está na forma como ele é entendido e implementado.
Erro comum
O erro mais comum, e mais perigoso, é acreditar que BPM é sinônimo de documentação de processos.
Nesse modelo mental, o sucesso é medido pela quantidade de fluxos desenhados, não pelos resultados gerados. Times passam meses desenhando BPMN, aprovam diagramas, armazenam PDFs e consideram o trabalho concluído.
Outro mito associado é tratar BPM como um projeto pontual, e não como uma capacidade contínua de gestão. Quando o “projeto de BPM” acaba, a governança desaparece, os processos ficam desatualizados e a operação volta ao modo reativo.
Explicação técnica clara
BPM é um sistema de gestão, não uma atividade de desenho.
Na prática, BPM conecta estratégia à execução por meio de processos mensuráveis e governáveis. Um BPM real é composto por seis pilares inseparáveis:
Dono de processo claramente definido
Indicadores operacionais (tempo, custo, qualidade, SLA)
Regras de governança para mudança e priorização
Mecanismos de execução (sistemas, workflows, automação)
Monitoramento contínuo da performance real
Ciclo estruturado de melhoria contínua
A documentação é apenas um insumo. Sem execução, medição e controle, o processo não gera valor.
Empresas maduras em BPM não “desenham processos”. Elas gerenciam o negócio por processos, usando dados reais para tomar decisões.
Exemplo prático
Imagine uma empresa de serviços financeiros que documenta seu processo de onboarding de clientes.
No BPMN, o fluxo é simples: cadastro -validação - aprovação - ativação.
O tempo estimado é de dois dias.
Na prática, o onboarding leva sete dias. Por quê?
Validações manuais fora do sistema
Planilhas paralelas para conferência de dados
Aprovações feitas por e-mail
Falta de um responsável pelo processo ponta a ponta
Quando BPM é tratado como documentação, nada disso aparece.
Quando BPM é tratado como gestão, a empresa define um dono do processo, mede o tempo real, integra sistemas, elimina atividades manuais e reduz o onboarding para três dias em poucas semanas.
Impacto em custo, tempo ou risco
Organizações que implementam BPM corretamente costumam obter:
Redução de 20% a 40% no tempo de execução
Redução de 15% a 30% nos custos operacionais
Diminuição significativa de riscos operacionais e de compliance
Maior previsibilidade para escalar e automatizar processos
Mais importante: decisões deixam de ser baseadas em percepção e passam a ser baseadas em dados.
Conclusão estratégica
BPM não é sobre desenhar processos. É sobre operar e governar o negócio por processos.
Empresas que tratam BPM como documentação sempre se frustram. Empresas que tratam BPM como sistema de gestão ganham controle, escala e resiliência.
por Vladimir Oliveira Lima




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